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	<title>cabelo &#8211; Jornal Digital da Regi&atilde;o Oeste</title>
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	<description>Notícias atualizadas da Região Oeste com credibilidade e agilidade. Acompanhe política, economia, cultura, esportes e muito mais no Jornal Digital.</description>
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		<title>Ativistas denunciam &#8216;blackface de cabelo&#8217; em fantasias de carnaval</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Jan 2026 03:01:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O período carnavalesco, vibrante e repleto de celebrações, anualmente reascende importantes debates sobre respeito e representatividade. Entre as discussões mais prementes, ativistas e coletivos antirracistas têm intensificado a denúncia do &#8220;blackface de cabelo&#8221;, uma prática considerada ofensiva e racista que consiste no uso de perucas ou penteados afro por pessoas brancas como adereço de fantasia. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O período carnavalesco, vibrante e repleto de celebrações, anualmente reascende importantes debates sobre respeito e representatividade. Entre as discussões mais prementes, ativistas e coletivos antirracistas têm intensificado a denúncia do &#8220;blackface de cabelo&#8221;, uma prática considerada ofensiva e racista que consiste no uso de perucas ou penteados afro por pessoas brancas como adereço de fantasia. Essa apropriação cultural é equiparada a outras formas de blackface, como a fantasia de &#8220;nega maluca&#8221; ou &#8220;indígena&#8221;, que historicamente ridicularizam identidades raciais. O movimento questiona a normalização de estereótipos e a superficialidade com que características identitárias de pessoas negras são tratadas, evidenciando a necessidade de um carnaval mais consciente e inclusivo para todos os foliões.</p>
<p> A questão do &#8220;blackface de cabelo&#8221;</p>
<p>A expressão &#8220;blackface de cabelo&#8221;, cunhada por coletivos antirracistas, visa questionar o uso de perucas ou penteados afro por pessoas brancas durante o carnaval. Essa prática, segundo observadores e ativistas que há quase uma década se dedicam a debater o tema sob a ótica de pessoas negras, é percebida como inadequada e racista. Assim como fantasias de &#8220;nega maluca&#8221; e de &#8220;indígena&#8221;, que ridicularizam identidades raciais, transformar cabelos crespos em um adereço de folia por parte de indivíduos brancos é considerado uma forma de agressão e desrespeito. O debate busca, com linguagem crítica e satírica, expor o racismo subjacente ao processo de branqueamento da festa momesca.</p>
<p>Entre os principais sintomas desse processo, aponta-se a escolha de mulheres brancas como passistas, mesmo em situações onde sua habilidade com o samba é questionável, em detrimento de mulheres negras com profundo domínio da dança. Em alguns casos, essa escolha é ainda acompanhada da simulação de cabelos cacheados ou crespos. A prática do blackface, originalmente, remonta aos Estados Unidos, onde atores brancos utilizavam maquiagem escura, graxa e outros artifícios para representar pessoas negras de forma estereotipada e degradante no palco. O &#8220;blackface de cabelo&#8221;, portanto, é visto como uma repetição dessa agressão, transformando a estética capilar negra em uma imitação depreciativa.</p>
<p> Raízes históricas e contemporâneas do racismo na folia</p>
<p>Por muitos anos, o cabelo afro foi estigmatizado como &#8220;cabelo ruim&#8221; ou &#8220;feio&#8221; na sociedade brasileira. Mulheres negras foram humilhadas e preteridas em diversas esferas, incluindo oportunidades de emprego, devido à sua estética capilar natural. Contudo, com a chegada do carnaval, muitas pessoas que não se engajam na luta antirracista ou na valorização da estética negra durante o ano decidem &#8220;se fantasiar&#8221; de &#8220;mulher preta&#8221;. Para ativistas, o blackface de cabelo é uma continuidade direta da fantasia de &#8220;nega maluca&#8221;, evidenciando uma apropriação superficial e temporária de uma identidade que é alvo de preconceito no cotidiano.</p>
<p>A reflexão apresentada por críticos da prática destaca a incoerência: &#8220;Durante o ano inteiro, mulheres defendem a estética branca, usam cabelo liso, extremamente alinhado, considerado &#8216;bonito&#8217;, &#8216;adequado&#8217;, representativo do que elas são – o que está tudo bem – mas, quando chega o carnaval, querem se fantasiar de mulher negra? Isso é caricato&#8221;. Essa apropriação é ainda mais grave quando se contrasta com a realidade de mulheres negras que são frequentemente discriminadas, demitidas ou impedidas de trabalhar por usarem seus cabelos crespos naturais ou tranças. A ironia se intensifica ao notar que, após o último dia de folia, essas fantasias são descartadas, e as pessoas brancas retornam à sua estética habitual. &#8220;Enquanto mulheres negras lutam pela nossa vida real, outras fazem da nossa estética fantasia&#8221;, ressaltam ativistas, frisando a disparidade e o desrespeito inerentes à prática.</p>
<p> O embranquecimento do carnaval e o apagamento da cultura negra</p>
<p>Ao analisar o embranquecimento do carnaval, especialmente através da participação de mulheres brancas em papéis de destaque, o protagonismo das passistas das comunidades é, muitas vezes, diminuído. Essa dinâmica é denunciada como parte do que o professor de jornalismo e diretor da FAAC da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), Juarez Tadeu de Paula Xavier, descreve como &#8220;aniquilamento social e cultural&#8221; da população negra. O professor, que pesquisa as origens do racismo e suas consequências atuais, incluindo manifestações no carnaval, aponta para uma estratégia mais ampla de apagamento.</p>
<p>&#8220;Existe um aniquilamento que é físico, os dados da letalidade de jovens negros mostram isso, e existe esse apagamento dos negros dos espaços de visibilidade&#8221;, afirma Xavier. A negação da beleza e o aniquilamento da cultura negra são elementos centrais desse processo, que remonta ao pós-abolição, com a tentativa de negar a presença e a contribuição negra na construção do país. O professor enfatiza que os negros fundaram as bases do Estado brasileiro em uma situação extremamente adversa.</p>
<p> Desafios e o papel das campanhas de conscientização</p>
<p>Apesar de o carnaval contemporâneo ter se transformado em um produto midiático, com uma estética e plástica voltadas para a televisão e a comercialização, suas digitais negras são inegáveis. As escolas de samba, em particular, foram construídas e mantidas por pretos e pardos como uma forma vital de sobrevivência coletiva no período pós-escravidão, que gerou exclusão produtiva e falta de acesso à renda e ao trabalho para essa população. Para o professor Xavier, reverter esse processo exige uma estratégia abrangente de combate ao racismo e à misoginia.</p>
<p>Nesse contexto, destaca-se a campanha &#8220;Sem Racismo, o Carnaval Brilha Mais&#8221;, do Ministério da Igualdade Racial (MIR), lançada em meados de fevereiro. A iniciativa governamental busca dar visibilidade a uma ação política contra o racismo em espaços propícios a essas manifestações. A campanha pretende distribuir, durante as principais festas de carnaval no país, material educativo que alerta para práticas como injúria racial, fantasias ofensivas, violências simbólicas e discriminação. O material será disseminado inclusive nos municípios que aderiram ao Plano Juventude Negra Viva.</p>
<p>Na visão do secretário de Combate ao Racismo do MIR, Tiago Santana, embora o carnaval já tenha superado muitas fantasias estereotipadas, ainda há quem insista nessas práticas. &#8220;Não cabem mais fantasias depreciativas sobre a cultura negra, religiões afro, personagens negras, muito menos mulheres negras. Isso não dá mais. Não é esse tipo de cultura de carnaval que o brasileiro quer&#8221;, pontua Santana. A campanha do ministério visa enfrentar as agressões diretas e as injúrias, mas também coibir que temas e a estética negra sirvam de &#8220;peça de chacota&#8221;.</p>
<p>Com a campanha, o ministério também incentiva as vítimas a registrarem as denúncias por meio do Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), e da Ouvidoria do Ministério da Igualdade Racial, disponível pelo e-mail ouvidoria@igualdaderacial.gov.br. Ambos os órgãos oferecem suporte e auxiliam na denúncia de casos junto às autoridades oficiais. Além disso, o professor da Unesp recomenda que vítimas também registrem um boletim de ocorrência na delegacia de polícia mais próxima. &#8220;É necessário tipificar, processar, para que as pessoas respondam pela sua ação&#8221;, enfatiza Xavier, reforçando a importância da formalização das denúncias.</p>
<p> Por um carnaval mais respeitoso e diverso</p>
<p>O debate sobre o &#8220;blackface de cabelo&#8221; e o embranquecimento do carnaval ressalta a urgência de uma festa mais consciente e inclusiva. A luta por um carnaval que celebre a diversidade e a riqueza cultural brasileira, sem reproduzir estereótipos ou discriminação, é contínua e fundamental. O engajamento de ativistas, a conscientização da sociedade e o apoio de campanhas governamentais são passos cruciais para que a folia seja um espaço de verdadeira alegria e respeito para todas as identidades.</p>
<p> Perguntas frequentes (FAQ)</p>
<p> O que é &#8220;blackface de cabelo&#8221;?<br />
É uma expressão cunhada por ativistas para descrever a prática de pessoas brancas utilizarem perucas ou penteados afro como adereço de fantasia no carnaval, sendo considerada uma forma de apropriação cultural e racismo.</p>
<p> Por que a apropriação de cabelos afro em fantasias é considerada racista?<br />
Historicamente, o cabelo afro foi estigmatizado e associado a preconceito. Quando pessoas brancas o utilizam como fantasia, descontextualizam e banalizam uma característica identitária que, no dia a dia, é motivo de discriminação para pessoas negras, transformando-a em algo caricato e superficial.</p>
<p> Como denunciar casos de racismo no carnaval?<br />
Casos de racismo podem ser denunciados pelo Disque 100 (Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania), pela Ouvidoria do Ministério da Igualdade Racial (ouvidoria@igualdaderacial.gov.br) ou registrando um boletim de ocorrência na delegacia de polícia mais próxima.</p>
<p>Seja parte de um carnaval que celebra a diversidade e o respeito. Compartilhe este conteúdo e promova a reflexão para uma folia verdadeiramente inclusiva.</p>
<p><em>Fonte: <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://agenciabrasil.ebc.com.br</a></em></p>
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